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sábado, 8 de agosto de 2009

Brasil em Paris

Gustavo Lins, foi o primeiro estilista brasileiro a ser convidado ao exclusivo círculo da Câmara de Alta Costura parisiense. Gustavo se apresenta desde 2008 na semana de alta-costura de Paris, suas criações desfilaram ao lado de grandes nomes da alta-costura: Chanel, Lacroix, Dior, Armani, Valentino, Gaultier.....
Mineiro e arquiteto por formação, Lins explicou que sempre esteve “interessado na arquitetura das peças do vestuário e pelo contato das peças com o corpo”. Foi em Paris que se formou como estilista, e construiu 17 anos de carreira trabalhando ao lado de grande nomes da moda, entre eles John Galliano. "Lá aprendi meu ofício de estilista, mas continuo sendo arquiteto na minha forma de pensar e construir, e o que me interessa é criar a idéia de movimento através das formas fixas", coloca o estilista.
Como referencial, Lins coloca a cultura da arte barroca mineira como ponto forte para ele. Ele transita entre a arquitetura, a moda e a arte contemporânea, passando de uma coisa a outra é que encontra suas referências. E complementa quando lhe questionam sobre a brasilidade de seu trabalho: "Eu me formei como estilista em Paris e aprendi o ofício trabalhando em Paris, o que faz com que minha forma de trabalhar e de pensar as peças de vestir seja parisiense. Mas sou brasileiro e em mim está a mistura. As pessoas me perguntam às vezes em que meu trabalho é brasileiro, porque não vêem nada brasileiro aqui. Eu respondo que isto é brasileiro porque eu misturo materiais inesperados, como a lã, a seda, o linho e o algodão e os pesponto até o fim, crio vínculos: isto é o Brasil, somos gente de origens diferentes que falamos a mesma língua, que temos os mesmos códigos de comportamento. O Brasil é isso, um 'melting pot' no qual toda essa gente tem que se entender".


Propostas para outono-inverno 2009

sábado, 18 de julho de 2009

Arte Tecnológica


Telas não são mais trabalhadas apenas com pincéis e tintas. Pontos e vetores constroem as novas composições. Das telas do computador surgem as imagens, precisas, quase reais. A quase perfeição das linhas que os pintores do Realismo tentavam reproduzir. Chegamos a um novo movimento, o “Realismo Virtual”.
Linhas duras e rígidas transformam-se em traços suaves que inventam paisagens, objetos, pessoas. Reinventam um mundo enquadrado nos padrões das máquinas, mas uma esfera visualmente livre, sem horizontes. Novas dimensões para interagir, novos ângulos explorados, virados e revirados, em apena um clique. Quantas obras-de-arte não seriam destituidas de seu propósito com apenas um borrão? No mundo virtual existe o Ctrl+Z!
O Inglês Jason Brooks é um designer gráfico com estilo. Dono de um trabalho minucioso e preciso. Estilos de vida variados e o luxo predominam em suas composições, inspiradas em suas aventuras e viagens. Um dos primeiro no seu campo abraçar e popularizar a informática, se tornou muito bem sucedido, é um dos expoentes da ilustração de moda.

domingo, 3 de maio de 2009

Do arquivo I

Segundo dia, Eixo 3: Subjetividade, História e Aparências

Começando com um certo atraso em função da localização do auditório, iniciou-se o grupo de trabalho “Moda, Processos de Criação e Produção de Subjetividade”, comandado pelo simpatia de Rosane Preciosa e Cristiane Mesquita. Construindo a discussão um grupo multidisciplinar constituido por designer, pesquisadora, historiadora, arquiteta e figurinista, composto por Rita Andrade, Cristiane Mesquita, Lia Marcia Borges de Abreu, Rosane Preciosa Sequeira e Beatriz Ferreira Pires. Apresentando diferentes interfaces, propondo a discussão, gerada através da inquietação, da intervenção, construindo assim conhecimento. Um local que mobilize questões e gere formas escritas de pensamento, Rosane introduz o GT.
O grupo inicou com a exposição de Rita Andrade, com o título “Biografia Cultural das Roupas”. Sua tese partiu do estudo de um vestido parisiense datado de 1927, doado ao museu Paulista. O direcionamento do estudo não se deve ao testumunho de época que o objeto possui, mas sim pelas histórias que carrega. A investigação deve desdobrar-se para além da interpretação do momento de criação do objeto, deve-se relevar sua circulação social, as intervenções pelas quais passou, todos os momentos de construção. Esses vestígios fazem parte da interpretação do objeto, seu papel dentro da história. Este objeto não está no passado, mas sim no presente, não vestindo, mas sensibilizando.
Não estava programada, mas foi uma grande surpresa a apresentação da arquiteta Beatriz Pires: “Corpo – de objeto passível das mais diferentes formas de representação a suporte passível das mais diferentes linguagens”. Beatriz trouxe à discussão a arte Boby Modification, colocando o corpo como suporte passível das mais diferentes linguagens. Propõe duas correntes para essa apropriação: inserir-se no contexto contemporâneo, onde a plástica é um dos meios de transformação; ou, pela diferenciação, procurando uma estética diferente das formas inatas, humanas. Beatriz trouxe algumas imagens que ilustram esse movimento a fim de representar a busca dos adeptos do Body Modification por novas experiências através do próprio corpo. Essas transformações provocam um grande estranhamento. Eles procuram aprender o mundo de forma total através destas experiências com o corpo. Há dor sim, mas aprendem a controlá-la, “sentir” a dor (para nós) é diferente de observá-la (para eles), pois toda a dor é uma ruptura física e espiritual. É uma ruptura da identidade coletiva, desse corpo humano que nos identifica e aproxima como homens.
A seguir Lia de Abreu apresentou “Produzindo Figurino”. Lia coloca o figurino como processo de criação, transformação, reapropriação, retrabalhamento de códigos e representação. Numa relação moda versus figurino, a moda se preocupa na confecção de peças, no “em série”, enquanto o figurino confecciona a peça, executa um trabalho único. Possuir de uma função representativa necessita de um tratamento especial e de vivência das peças, cada roupa precisa ser trabalhada, um figurino não comporta peças “novinhas”, vazias. Ambas se aproximam na preocupação com a produtividade, vestibilidade e custo. “Transformar é a alma do negócio”, ressalta Lia. Enfatiza que é importante possuir um olhar para as diferenças, entender o por que, o como e onde aconteçem “as coisas”.
“Biopolíticas da Aparência”, um recorte da tese de Cristiane Mesquita, propõe o corpo como locus subjetivo, a aparência e constituição de si. É importante pensar o corpo. Nesse “aparecer”, todos possuimos redes estratégicas de poder, todos somos emissores e receptores desse poder.
A fala de Rosane Preciosa abordou “Considerações sobre moda e memória”. O trabalhou abordou a questão da memória revisitada, a incessante volta ao antigo por parte da moda. Um passsado renovado, reciclado ao gosto da época, mas com fins comerciais, “tratam-se de memórias inventadas”, afirma Rosane, há a comercialização de modos de vida. Em épocas de incerteza, nos voltamos para nós, para nossa memória, que é o campo seguro. Alerta que “supervalorizar a memória pode indicar falta de perspectivas para o futuro”.
Após a exposição dos participantes, foi aberto um espaço para discussão temática. Encerrando a manhã com colocações, trocas e bom humor.

terça-feira, 3 de março de 2009

Sentando no lixo!


Lixo... uma montanha de coisas, coisas inúteis, usadas e por vezes sujas. Sozinhas são apenas formas disformes, formas vazias. O que fazer, por exemplo, com garrafas PET destinadas ao lixo comum? Experimentando, foi assim que a Fundação Movimento Ondazul encontrou uma solução inteligente e até divertida: móveis com garrafas PET coletadas.

A cooperativa criada na comunidade de Vigário Geral e, também, atuante em Salvador, na Bahia, cria e produz pufes cheios de estilo, tirando de circulação mais de 13 mil garrafas PET, que antes seriam simplesmente descartadas. Este projeto compreende a arte e a sua utilização como meio para o desenvolvimento da cidadania e da auto-sustentabilidade. Essas peças são fonte extra de renda para os catadores. Algumas peças já forma exportadas para a Inglaterra e expostas na Casa Cor Bahia 2007.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Na trilha das Índias


Por falar em tendências... uma das macro-tendência para o verão 2009 é o étnico, apostando fortemente nesta proposta, a TV Globo investiu no tema “Índia”. É no mínimo engraçado como a televisão, especialmente esta emissora, consegue difundir tantas tendências e de maneira tão veloz, possui, até mesmo, o grande poder de influenciar o comportamento dos espectadores. Moda é comportamento e, também, cultura. Cultura faz parte da moda, assim como a moda é reflexo das culturas. Sendo assim, proponho-me a assinalar alguns aspectos da cultura indiana, e, claro, apresentar algumas peças da indumentária indiana.
Para esta cultura cheia de símbolos a aquisição de conhecimento e a remoção da ignorância são fundamentos. A ignorância representa a escuridão e o conhecimento a luz. Estes conceitos são simbolizados pela figura de uma lamparina, a deepak.
A sílaba “Om” é o som da meditação. Entoado no começo de todos os mantras, é o som da criação, representa o poder de Deus. Sempre presente em muitas imagens, a flor de lótus, possui um significado muito forte: esta linda flor cresce na água pantanosa, e mesmo assim não é afetada por ela. Assim como a flor nós devemos ficar acima do mundo material, apesar de nele viver. A swastica, um símbolo que no ocidente é relacionado ao nazismo, na verdade é uma benção, representa a auspiciosidade, bem estar e prosperidade. As divindades, são as muitas manifestações de Deus. E com seus vários braços, indicam as direções, a maioria indica os quatro pontos cardeais. Não há dúvida de que a religião rege muitos povos, e é, também, sua forma de expressão. Para o povo indiano, a literatura e poesia, assim como a arte, a pintura e escultura, que fazem referência às tradições e mitos, são formas de se conectar com o divino.
Além dos símbolos, muito forte na Índia é o cinema. Os indianos possuem um estilo próprio, o cinema bollywoodiano. “Bollywood” provêm de Bombay, o qual é o principal centro cinematográfico da Índia.
Muito colorido, mais e mais tecido, detalhes minuciosos, assim poderia ser resumida a vestimenta indiana. Na indumentária, o sari se destaca no mundo. É uma das mais antigas formas de vestimenta da mulher indiana, e a mais popular. O sari é o drapeamento de um tecido, vestido junto uma blusa. É uma peça muito sensual, pois ao mesmo tempo que cobre o corpo, revela as curvas do corpo femino. A princípio, um sari parece igual ao outro, mas eles se diferem no modo de amarrar, revelando uma região de origem diferente. No caso dos turbantes, uma maneira diferente de amarrar, representa uma religião diferente. Para as mulheres, outra peça importante é o Salwar Kameez: conjunto com motivos indianos bordados à mão. Para as indianas, é constante o uso de xales e estolas, em tecidos leves e coloridos. Os homens, assim como as mulheres, possuem uma roupa tradicional, o Kurta Pajama. Confeccionado em algodão ele se torna um pijama, já em um tecido como a seda, ele é utilizado para cerimônias formais. Os homens, também, possuem o sari, porém em uma versão masculina: o dhoti, um tecido comprido enrolado no corpo masculino.
Um país de contrastes, um povo colorido, místico, conservador, progressista, moderno, antigo... a Índia possui uma identidade cultural única.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Corpos Estranhos



Pare! Preste a atenção. Observe esses corpos estranhos: você, quem está do seu lado, a pessoa à sua frente. Até que ponto a estética é tão importante assim? O quanto vale se sacrificar para manter uma aparência?

A artista francesa, Orlan, fez do seu corpo arte. A partir de 1990, apropriou-se da cirurgia plástica e de seu corpo como suporte de sua produção. Seu trabalho é a representação do processo cirúrgico e do que ele significa. Sua arte se refere ao corpo, à sua imagem enquanto corpo, ao corpo em si e a relação da pessoa com seu corpo. Critica o desejo e identidade corrompidos pelo comportamento consumista e auto-destrutivo. Seu trabalho com um tom irônico e teatral, demonstra os limites do corpo-sujeito.

Essa corrida desenfreda a fim de adaptar-se a padrões estereotipados tem seu preço. A arte carnal representada por Orlan é opositora à essas pressões sociais. A liberdade individual é afirmada e reafirmada nesse contexto, o conteúdo em detrimento do rótulo. A importância e significação do processo são visadas, não o resultado final. O processo de como é construida a identidade de cada um é o que deve ser valorizado.